domingo, 13 de novembro de 2011

O Palhaço

"Eu faço os outros rirem, mas quem é que vai me fazer rir?"

Eu e minha trupe chegamos sem alarde na sua cidadezinha, era noite, e além da música e das falas altas vindas do boteco, a cidade prezava pelo silêncio e pela calmaria. Todos dormindo ou recolhidos em suas casas, a cadeira na calçada balançava-se sozinha com o vento aracati e os únicos pontos de luz que se avistavam eram os postes de luz, que mais pareciam lamparinas.

Embaixo do poste, estava você, feito criança. O olhar curioso e o sorriso puro logo me chamaram a atenção. Estaria você à espera do meu circo? Pedi à São Filomeno que sim!

Começamos sem delongas a extender nossa lona. Não era a mais bonita nem a mais exuberante que podia existir, mas era talvez e mais colorida e acolhedora. O circo rapidamente estava erguido e nós estávamos prontos para começar o espetáculo. Mágicos, acrobatas, leões, ciganas, e eu, o palhaço, à postos para recebê-lo em nosso mundo. A arquibancada era grande e cabia muita gente, mas era para você que nós tínhamos preparado o show. E esperamos...

Noite após noite você continuava embaixo do poste, sentado naquela calçada alta, com o mesmo olhar vivo e curioso em direção à entrada da cidade. Meu circo, afinal, não era o que você esperava.

Com tristeza, mas sem lágrimas no rosto, o espetáculo foi desmontado e a lona foi guardada. Eu e minha trupe seguimos em busca de outras destinos e outros sorrisos...